Há quem diga que o dia 4 de Novembro de 2008 irá ficar para a história. Sob o olhar atento do mundo inteiro, foi eleito o novo Presidente dos Estados Unidos da América, o primeiro afro-americano da história a ocupar a Casa Branca. Durante meses e à medida que ia desenvolvendo a sua campanha eleitoral, Barack Obama conseguiu captar a atenção mundial, não só pela sua forma de fazer política, mas também pela forma como a comunicou. Mais do que uma estratégia de marketing política sem precedentes, Obama conseguiu revolucionar o próprio marketing digital e tornar-se no exemplo para empresas, agências e governantes do mundo inteiro, que continuam a utilizar esta ferramenta como complemento secundário e não como foco central das suas campanhas.
Tudo começou quando em 2007 Chris Hughes, um dos fundadores do Facebook, se juntou à equipa do Senador Obama para desenvolver a sua campanha digital, o que revelou à partida a importância que Obama concedeu a este meio. Tendo como ponto central da campanha o site My.BarackObama, Hughes conseguiu criar uma onda de viralidade e interactividade que permitiu ao candidato ser praticamente omnipresente em todo o país e mesmo em todo o mundo. A comunidade cresceu a uma escala inimaginável e durante cerca de 21 meses, milhões de pessoas utilizaram o site na organização das suas actividades locais a favor de Barack Obama. Nos 50 estados existentes, foram criados mais de 35.000 grupos locais, que organizaram mais de 200.000 eventos e realizaram milhões e milhões de telefonemas para divulgar toda a campanha.
Muitos analistas são da opinião que a campanha montada por Chris Hughes foi determinante para a vitória de Barack Obama. Obviamente houve uma alteração muito significativa na forma como as ferramentas digitais foram utilizadas, o que gerou um forte impacto em todo o país, potenciando a acção da população, factor esse sim, decisivo para a vitória do candidato. Ainda assim, nem todos os candidatos têm perfil para do marketing tirar uma vitória da cartola, e esse mérito deve ser reconhecido a Barack Obama, que acreditou e continua a acreditar na tecnologia e na inovação como ferramenta de mudança e de vitória, apostando nas pessoas certas para as desenvolver.
Quanto a Chris Hughes, que muitos esquecem quando se referem à campanha de Obama, continuará a ser aos olhos de muitos um “online organizing guru” que conseguiu tornar uma campanha eleitoral num caso de estudo, concedendo ao mundo inteiro o privilégio de tomarem consciência do verdadeiro futuro da comunicação e do marketing.

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